Perdido (e achado) na tradução: Comunicação eficaz com utentes

By Zuzana Dankulincova, Pavol Jozef Safarik University, Slovakia

Apesar de a maioria dos investigadores terem consciência que disseminar os resultados dos seus estudos científicos faz parte das suas responsabilidades éticas para com os participantes em investigação (e de quererem que os seus resultados tenham implicações clara e práticas), esta implementação pode levar algum tempo. O conhecimento científico não é sempre aplicado na prática diária, e mesmo quando o é, não tende a ser feito de forma consistente ou sistemática.

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​​Make or break: the importance of breaks in healthcare

By Julia Allan, Aberdeen University, Scotland

Modern life is hectic. We live in an increasingly ‘switched on’ digital world where periods of true respite from work are rare. Many people regularly work for lengthy periods and this is particularly the case for health professionals working in frontline healthcare services. In the healthcare context, working hours and demands are typically high, shifts routinely exceed the 8 hours of a ‘normal’ working day, and work demands can be relentless in nature. If a continuous series of patients require urgent care, health professionals are obligated to provide it, regardless of how busy they have been, or how long they have been working. As a result of these high demands, missed breaks are extremely common in healthcare settings – for example, it is reported that  1 in 10 nurses never take a proper break and 1 in 3 rarely or never take meal breaks during shifts.

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Linking the Elephant to the Rider: The Role of Motivation

By António Labisa Palmeira, CIDEFES – Universidade Lusófona, Portugal; ISBNPA Executive Director

Long-term motivation for health-related behaviors can come from different sources. Behavioral scientists are still trying to work out how these sources fit together. For example, I go running nearly every day and have done so for 30+ years. How and why have I maintained this pattern? Daniel Kahnemann would suggest that dual motivational systems are at play: a system 1 that deals with instincts and emotions, and a system 2 that is deliberative and conscious. He might argue that system 2 prompts me to run because I am aware of the health benefits of exercise. On the other hand, Ed Deci might suggest that I am intrinsically motivated to run and do it because it aligns with my values and self and because I enjoy it.

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A sua intervenção, a sua maneira! Intervenções breves de afirmação

por Katarzyna Cantarero, SWPS University, Polónia

O Bem-estar subjetivo é uma combinação de fatores com os quais nascemos, de situações que surgem nas nossas vidas e (felizmente!) daquilo que fazemos intencionalmente. Muitos investigadores têm investigado o que pode melhorar de forma eficaz o nosso funcionamento psicológico. Intervenções breves de afirmação podem ser uma ferramenta útil para este fim. 

A investigação mostra que pequenas tarefas de escrita (e.g., listas de gratidão ou cartas) podem aumentar o bem-estar psicológico. Num estudo de larga escala realizado através da colaboração de centros de investigação de 87 países, verificou-se que as intervenções simples de reavaliação de situações de forma afirmativa (i.e., mudar como as pessoas se sentem relativamente a uma situação ou colocar o foco nos aspetos positivos de uma situação) levaram a um aumento de emoções positivas durante a pandemia da COVID-19. Avaliar um evento que é potencialmente stressante pode facilitar a retirar benefícios do mesmo. Durante estas tarefas, é pedido aos sujeitos que formem argumentos sobre os aspetos positivos das situações em que se encontram.

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Levar o aconselhamento para fora do consultório: O potencial das tecnologias móveis

Egon Dejonckheere & Peter Kuppens, KU Leuven, Bélgica.

Muitas formas de aconselhamento e psicoterapia ainda ocorrem predominantemente no consultório. No entanto, quando os clientes deixam o consultório, têm por vezes dificuldade em enfrentar desafios, em aproveitar as oportunidades para melhorar, ou a implementar o que foi conversado na sessão. A evidência mostra que a prática terapêutica pode beneficiar muito com o acesso direto a informações sobre o que ocorre no dia a dia das pessoas. Essas informações podem identificar maneiras de intervir e colmatar a lacuna entre as sessões de aconselhamento e a vida real.

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Ajudar os pacientes a gerir a sua condição de saúde: A importância das representações de doença

Por Yael Benyamini, Tel Aviv University, Israel e Evangelos C. Karademas, University of Crete, Greece

A Ana e a Maria são duas mulheres saudáveis de 45 anos que vivem numa grande cidade europeia. Ambas conhecem várias pessoas que contraíram COVID-19 e ouvem e leem constantemente sobre o assunto. A Ana acredita que a COVID-19 é uma doença muito séria e, mesmo acreditando que com a sua idade iria recuperar, preocupa-se que se a contrair irá provavelmente sofrer de sintomas desconfortáveis a longo prazo. Ela trabalha de casa o máximo possível, nunca anda na rua sem máscara, e está à espera da próxima dose de vacinação.

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Como novas perspetivas sobre o stress podem ajudar a acalmar uma mente preocupada

Bart Verkuil, Departmento de Psicologia Clínica, Universidade de Leiden, Países Baixos, e Grupo PEP, Noordwijk, Holanda 

“E se eu ficar infetado/a e tiver que ir para o hospital?” “E se eu não conseguir pagar as minhas contas nos próximos meses?” “Que efeito é que este confinamento vai ter na saúde dos meus filhos?”

A ameaça do coronavírus está a ter um impacto significativo nas nossas vidas. Para determinar que medidas temos que adotar e para estimar que riscos estamos a enfrentar, os cientistas usam modelos estatísticos para perceber melhor a propagação do vírus. Estas estratégias ajudam a ganhar algum controlo sobre a pandemia. Curiosamente, nós, enquanto seres humanos, agimos continuamente como estes cientistas, embora de um modo mais automático. A nossa mente humana pode ser vista como uma “máquina de previsões”, que procurar estimar de uma forma constante se estamos em risco de sermos infetados, de perder o nosso emprego ou de ser criticado/a. No entanto, existem grandes diferenças na forma como as pessoas estimam estes riscos e para algumas pessoas estas avaliações levam a espirais de profunda preocupação.

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Se a medicina é um jogo de equipa, os pacientes também devem jogar: uma perspetiva psicológica sobre o envolvimento do paciente

Por G. Graffigna, Università Cattolica del Sacro Cuore, Itália

Os profissionais de saúde, ao longo de todo o percurso de cuidados, têm de colaborar e coordenar os seus esforços para que os sistemas de saúde funcionem eficazmente. Por outras palavras, a medicina precisa de trabalho de equipa para ser bem-sucedida. Se concordarmos com este princípio, então – recorrendo a uma metáfora desportiva – o paciente também deve ser considerado um jogador da equipa!

O conceito de envolvimento do paciente reconhece precisamente isto e constitui um elemento importante para melhorar a eficácia e a sustentabilidade dos cuidados de saúde.

O que é o envolvimento do paciente?

O envolvimento do paciente considera as pessoas como mais do que simples “destinatários de cuidados” e coloca-as como principais atores no planeamento e na prestação de serviços de saúde. Trata-se de um processo pelo qual as pessoas se envolvem ativa e genuinamente na definição de questões relevantes para os seus cuidados. Isto inclui tomar decisões sobre fatores que afetam as suas vidas, conceber e implementar políticas, planear, desenvolver e prestar serviços e agir para alcançar mudanças comportamentais e de estilos de vida. Aspetos psicológicos como as atitudes, motivações, emoções e disponibilidade dos pacientes para se envolverem nos cuidados de saúde são elementos cruciais neste processo.

Em 2017, o nosso grupo propôs e validou cientificamente um enquadramento psicossocial para diagnosticar e promover o envolvimento do paciente: o Patient Health Engagement Model. Esta teoria psicológica inovadora, baseada em evidência científica, procura explicar como se desenvolve o envolvimento do paciente,  a partir da perspetiva dos próprios pacientes. O modelo Patient Health Engagement descreve o envolvimento do paciente como um processo dinâmico e evolutivo, através do qual as pessoas podem recuperar a sua capacidade de desenvolver projetos pessoais e de se orientarem para objetivos, mesmo vivendo com uma doença.

O modelo destaca a escolha pessoal do paciente em mudar a sua atitude perante o sistema de saúde, passando de destinatário passivo a parceiro e copiloto da sua experiência de cuidados de saúde. Esta mudança na identidade associada ao seu papel enquanto paciente resulta de uma evolução dinâmica de adaptação e de resiliência perante a sua condição de saúde. O envolvimento pleno do paciente resulta de uma série de esforços emocionais e motivacionais para reformular a forma como compreende a sua condição de saúde, o seu papel e identidade enquanto paciente. Isto é fundamental para sustentar a adesão dos pacientes ao tratamento e  àautogestão, bem como para manter com sucesso a mudança de comportamentos e de estilos de vida.

O modelo Patient Health Engagement contém quatro fases, e os profissionais de saúde podem apoiar o envolvimento do paciente em cada uma delas.

  • Fase 1: Blackout (bloqueio/congelamento). Nesta fase, os pacientes sentem vulnerabilidade psicológica associada a um acontecimento crítico, geralmente o diagnóstico. Os profissionais de saúde devem oferecer apoio emocional para ajudar os pacientes a adaptar-se à sua nova condição de saúde. O foco deve estar em ajudar os pacientes a desenvolver um novo sentido de agência e de controlo sobre a sua doença. Por outras palavras, os pacientes devem ser apoiados de forma a  sentirem que as suas ações podem contribuir para uma gestão eficaz da sua saúde.
  • Fase 2: Arousal (alerta). Nesta fase, os pacientes têm uma consciencialização inicial sobre a sua condição de saúde, embora tenham ainda um conhecimento apenas superficial sobre como a gerir eficazmente. Nesta fase, é comum os pacientes abandonarem o processo de cuidados. Nesta posição, os profissionais de saúde são pontos de referência cruciais para os pacientes. Devem também apoiar os pacientes na gestão da doença e em como lidar com a mesma (coping), prevenindo assim o abandono dos cuidados.
  • Fase 3: Adhesion (adesão). Nesta fase, os pacientes já desenvolveram uma boa aceitação da sua doença e superaram o sofrimento psicológico mais intenso associado ao início da doença. Os profissionais de saúde podem apoiar os pacientes nesta fase, ajudando-os a manter comportamentos de saúde adaptativos mesmo em situações de stress ou atípicas.
  • Fase 4: Eudaimonic project (projeto com sentido). Nesta fase final, os pacientes tornaram-se plenamente conscientes da sua doença e das suas implicações. Mudaram os seus hábitos de vida de acordo com as exigências terapêuticas e estão a tornar-se agentes ativos na procura de uma qualidade de vida positiva e satisfatória, apesar de viverem com uma doença crónica. Nesta fase, os profissionais de saúde são, então, considerados aliados de confiança, apoiando os pacientes a e ajudando-os a reconhecer-se como membros ativos da equipa de cuidados.

A transição de uma abordagem passiva para comportamentos ativos, regulares e eficazes de gestão da saúde assenta num processo complexo de reconstrução de significados e de elaboração da identidade pessoal. A perceção subjetiva, e por vezes irracional, que os indivíduos têm de si próprios, bem como as perspetivas individuais através das quais avaliam a sua qualidade de vida, são, na nossa opinião, fundamentais para tornar possível o processo de envolvimento. Os profissionais de saúde podem, assim, incorporar estas perceções nos modelos de envolvimento em saúde que aplicam na sua própria prática.

O modelo Patient Health Engagement proposto já demonstrou ser capaz de prever os níveis de adesão dos pacientes às prescrições médicas e o seu empoderamento na autogestão. Adotar uma perspetiva psicossocial para definir e medir o envolvimento do paciente pode melhorar significativamente a nossa compreensão sobre a forma como as pessoas decidem mudar o seu papel no percurso de cuidados de saúde, em prol de um maior envolvimento na sua saúde.

Em suma, a perceção de controlo emocional que os indivíduos têm sobre a sua doença e os seus cuidados desempenha um papel essencial na forma como conseguem lidar com a sua doença. Quanto melhor estas emoções e papéis forem compreendidos, maior será a possibilidade de os pacientes se envolverem efetivamente nos seus cuidados de saúde. Os profissionais de saúde têm um papel fundamental a desempenhar em cada uma destas transições, desde o diagnóstico até o paciente se tornar um indivíduo plenamente informado e envolvido, ativamente implicado nos seus próprios cuidados de saúde.

Recomendações práticas

  • Avaliar o envolvimento do paciente: a Patient Health Engagement Scale pode ajudar a medir sistematicamente o envolvimento em diferentes contextos clínicos e períodos de tempo, permitindo orientar estratégias e intervenções personalizadas para o promover.
  • Criar confiança: Utilizar uma comunicação personalizada (ou seja, comunicação paciente-médico, comunicação pública, comunicação de marketing social) alinhada com os níveis de envolvimento do paciente.
  • Cultura de abertura nos cuidados de saúde: Os contextos de cuidados e a formação médica devem procurar implementar programas de formação que dotem os profissionais de saúde dos conhecimentos e das competências de comunicação e relacionais necessárias para promover o envolvimento do paciente.
  • Promover o entusiasmo do paciente: Ajudar os pacientes a ver o lado positivo. Incentivar uma atitude otimista que procure os aspetos positivos pode ajudar as pessoas a filtrarem algumas das notícias negativas ou desmotivadoras que possam afetar a sua motivação para se envolverem.

Traduzido por: Maiara Moreto e Susana Mourão

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Como apoiar os pacientes a perder peso e a gerir melhor a diabetes tipo 2

Leah Avery – Teesside University, Reino Unido.

A diabetes tipo 2 foi anteriormente considerada uma doença progressiva, associada a uma necessidade inevitável de terapêutica com insulina. No entanto, a investigação sobre mudança de comportamentos relacionados com o estilo de vida desafia este prognóstico pessimista. À medida que a prevalência da diabetes tipo 2 continua a aumentar, cresce também a evidência sobre o papel importante da alimentação e da mudança do que comemos na gestão bem-sucedida da doença.

As abordagens alimentares podem, em termos gerais, dividir-se em duas. Algumas centram-se no que comemos (por exemplo, hidratos de carbono), com o objetivo de otimizar o metabolismo e o controlo glicémico através de uma perda de peso lenta e gradual. Outras focam-se na quantidade ingerida, como a dieta de baixo valor calórico, que implica uma restrição energética significativa para promover uma perda de peso rápida.

1. A dieta com baixo teor de hidratos de carbono

Anteriormente, recomendava-se às pessoas com diabetes tipo 2 uma alimentação com pouco açúcar e rica em hidratos de carbono, porque se acreditava que estes alimentos libertavam açúcar para o sangue de forma gradual. Hoje sabemos que muitos alimentos ricos em hidratos de carbono libertam açúcar para o sangue mais rapidamente do que alimentos açucarados. Apesar disso, muitas pessoas com diabetes tipo 2 continuam a seguir uma alimentação com pouco açúcar e muitos hidratos de carbono, uma abordagem que pode dificultar um bom controlo glicémico e que deve ser evitada.

A evidência atual indica a necessidade de apoiar as pessoas com diabetes tipo 2 a reduzir o consumo de hidratos de carbono através de escolhas alimentares alternativas. Isto implica aprender quais são os alimentos ricos em hidratos de carbono e a monitorizar a ingestão pessoal de hidratos de carbono ao longo do tempo (esta estratégia prática é conhecida como automonitorização). Depois, o paciente deve ser apoiado na redução do consumo de hidratos de carbono através da formulação de objetivos, de planos de ação (quando, onde e como irá reduzir alimentos ricos em hidratos de carbono) e de planos de coping (se eu encontrar um obstáculo, então farei determinada coisa) para ultrapassar barreiras, como a tentação de comer um snack rico em hidratos de carbono no trabalho, e consumir menos alimentos com elevado teor de hidratos de carbono. A evidência a favor da redução de hidratos de carbono como forma de gerir a diabetes tipo 2 através da perda de peso tem aumentado, e as abordagens com baixo teor de hidratos de carbono têm apresentado melhores resultados do que dietas com um teor moderado.

No entanto, cada pessoa é única, o que torna desafiante encontrar a quantidade ideal de hidratos de carbono e as escolhas alimentares mais adequadas. Por exemplo, cada pessoa tem um nível individual de tolerância aos hidratos de carbono, isto é, a quantidade que consegue ingerir antes de começar a ter impacto negativo no peso e no controlo glicémico. O limiar pessoal de gordura funciona de forma semelhante: algumas pessoas com diabetes tipo 2 precisam de perder muito peso para conseguir controlar os níveis glicémicos, enquanto outras conseguem alcançar o controlo glicémico com uma perda de peso menor. Além disso, algumas pessoas desenvolvem diabetes tipo 2 com um Índice de Massa Corporal muito mais baixo do que outras, e o limiar pessoal de gordura pode explicar parcialmente esta diferença. O local onde a pessoa acumula gordura (por exemplo, predominantemente em torno dos órgãos ou mais perifericamente no corpo) e os seus limiares individuais podem ajudar a explicar diferentes respostas às dietas. Podem também ajudar a compreender por que razão uma dieta funciona para algumas pessoas e não para outras. É útil transmitir esta informação aos pacientes para explicar por que motivo a abordagem que escolheram poderá não estar a resultar para eles.

2. A abordagem da dieta de baixo valor calórico

Esta abordagem pode representar uma mudança importante para pessoas recentemente diagnosticadas com diabetes tipo 2 (até 6 anos). A dieta de baixo valor calórico promove uma perda de peso rápida com o objetivo de colocar a diabetes tipo 2 em remissão (um estado em que a pessoa deixa de apresentar critérios de diabetes e já não utiliza medicação antidiabética). Implica o consumo de substitutos de refeição de baixo valor energético durante 12 a 20 semanas, com uma meta de perda de 15 kg. Segue-se uma fase de reintrodução de alimentos (2 a 8 semanas) e apoio comportamental por um profissional de saúde, por exemplo um enfermeiro, para ajudar a manter a perda de peso. Um estudo de grande escala sobre esta dieta mostrou que quase metade dos participantes atingiu a remissão da diabetes ao fim de um ano. Investigação publicada mais recentemente mostrou que estes efeitos podem manter-se durante dois anos.

Mas qual das abordagens alimentares é mais eficaz? A resposta é simples: aquela à qual o paciente consegue aderir e que funciona melhor para si. As pessoas têm preferências e atitudes próprias relativamente às opções de mudança alimentar, influenciadas pelas suas motivações para perder peso. Algumas poderão preferir uma dieta de baixo valor calórico para perder peso rapidamente e evitar a progressão para insulinoterapia; além disso, a fase inicial da dieta evita a necessidade de pensar em escolhas alimentares e preparação de refeições. Outras poderão preferir uma abordagem com baixo teor de hidratos de carbono porque querem aprender a cozinhar refeições saudáveis, perder peso gradualmente e mudar a sua forma de comer a longo prazo. Esta abordagem significa também continuar a fazer refeições, em vez de depender de produtos substitutos de refeição.

Como podem os profissionais de saúde determinar qual é a abordagem alimentar mais adequada para cada pessoa com diabetes tipo 2 e, depois, prestar-lhe o apoio necessário?

Recomendações práticas

  1. É importante que os profissionais atuem como facilitadores e não como instrutores. Evite dizer ao paciente qual a abordagem alimentar certa para ele. Procure compreender as suas motivações pessoais para perder peso, experiências anteriores, preferências relativamente às diferentes abordagens e barreiras à mudança da alimentação.
  2. Forneça informação baseada na evidência que ajude o paciente a compreender o que teria de fazer e aprender em cada abordagem alimentar (por exemplo, consulte a informação da Diabetes UK sobre dietas de baixo valor calórico e dietas com baixo teor de hidratos de carbono). Esta informação deve incluir dados detalhados sobre as características de cada plano alimentar, incluindo os potenciais efeitos secundários que podem esperar e os conhecimentos e competências que terão de adquirir para serem bem-sucedidos.
  3. Faça perguntas abertas para compreender as preferências do paciente por um plano alimentar específico, a sua motivação para perder peso e as barreiras à mudança comportamental relacionada com a alimentação:
  • Qual destas opções acha que conseguiria manter com maior facilidade?
  • O que espera alcançar ao perder peso?
  • O que poderia impedi-lo de manter a dieta que escolheu?
  1. Incentive o paciente a procurar apoio social. Por exemplo, tem um parceiro, familiar ou amigo que possa oferecer apoio emocional e prático?
  2. Utilize reforço positivo quando adequado. Isto pode incluir feedback positivo sobre qualquer esforço feito pelo paciente para alterar a alimentação (por exemplo, elaborar planos detalhados), sobre os sucessos alcançados (isto é, mudanças efetivamente realizadas ao longo de dias ou semanas) e sobre os efeitos positivos dessas mudanças no peso e no controlo glicémico (ou seja, alterações mensuráveis).

Traduzido por: Maiara Moreto and Carolina Silva

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Ensinando Capacidades de Conversação Saudável aos Profissionais de Saúde

Por Wendy Lawrence, Universidade de Southampton

As principais causas de morte e de doença na sociedade atual são influenciadas pelas nossas escolhas de estilo de vida, e há um foco crescente nas maneiras de melhorar os comportamentos de saúde. Os profissionais da linha de frente, particularmente aqueles que trabalham na saúde ou na assistência social e comunitária, são um recurso fundamental para apoiar a mudança de comportamento. As consultas de rotina oferecem oportunidades para iniciar conversas sobre mudança de comportamento todas as semanas, mas muitos profissionais sentem que não têm o conhecimento e as capacidades necessárias para fornecer apoio à mudança de comportamento. Isso pode reduzir a nossa confiança em ter conversas com clientes ou pacientes sobre tópicos potencialmente delicados, incluindo tabagismo, perda de peso ou ingestão de álcool.

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